Venho de longínquo lugar, cujo sentimento se perde em meio à tanta loucura. Não. Não é dessa loucura que estou falando. Rasgar dinheiro e comer bosta é normal. A maldade é uma loucura. Insanidade pode ser inocência, amor pode ser loucura e paixão lucidez. O ódio pode trazer prazer e o prazer pode enlouquecer. Que coisa boa é a bondade. Tem gente que é tão boa, que é considerada maluca. O tédio corrói minhas artérias e resseca meu couro cabeludo. Minhas mãos trêmulas suam frias. O ácido úrico pretejam os talheres e as cordas da guitarra. Meus sentimentos estragam qualquer canção. Eu sou assim: Estrago qualquer natal...
Bobagem me levar a sério. Sempre precisei, mas não sei do que. Escrevo... apago... lembro...esqueço, minto, finjo que não é comigo. Eu sou eu. E você, quem é? É uma tempestade de sentidos, aguçados, reprimidos e é assim que a banda toca. Descompassada,
mas, um dia é um dia.
Lembro-me de quando era criança. Era uma bosta. Dizia sempre que queria crescer logo. Ser dono do meu nariz. Mas aprendi que, quanto mais a gente cresce, menos nosso nariz nos pertence. Já estou encolhendo e não posso escolher nada, nem o que por no nariz. Escolhem tudo por mim. Sabem o que é errado e o que é bom pra mim. Talvez eu não queira ser assim. Mas isso não importa. No geral, as pessoas gostam de serem mandadas, um exemplo disso é a religião, mas isso é uma outra história.
Apesar de tudo, gosto de ser eu mesmo. É mais fácil assim. Chega de encher lingüiça...
sábado, 25 de agosto de 2007
quarta-feira, 22 de agosto de 2007
sexta-feira, 17 de agosto de 2007
Qualquer coisa.

Passo ao lado de um estranho, viro pela rua como se estivesse sem rumo. Mas não, eu sei onde quero chegar, só preciso encontrar um caminho. Parece que não existe nenhum atalho, ou alguma forma mais fácil de se chegar.
Peço informações, mas sinto ter mais do que os por mim indagados. Fica tudo misturado, um mapa ao contrário, de lugares distantes.
Agora posso ver algo, parece ser uma pessoa, pelo menos espero que seja. Não gostaria de me encontrar com eles agora. Agora não. É o carteiro, quem mais sabe de endereços na cidade? Já foi embora, nem me viu. Nessas horas, odeio carteiro de moto...
Mas tenho de prosseguir, sempre em frente, afinal, "todos caminhos levam à algum lugar", não é verdade?
Prefiro pensar que, cada passo que dou, estou mais perto. Mas se estiver no sentido inverso? Não importa, mesmo que der a volta ao mundo, eu chego.
Essa caminha da já se tornou monótona há algum tempo. Bem que poderia acontecer alguma coisa, melhor não, sou muito azarado e se acontecer algo, vai ser ruim, então se não acontece nada, já estou no lucro, mas espera aí... Conheço aquele cara ali. Ele estudou comigo, será que ele ainda se lembra de mim? Putz! Como ele se chama mesmo? André, Rodri... Rogério, isso mesmo. No meu estado é fácil lembrar-se de coisas remotas, difícil é lembrar o que comi ontem...
Chego meio sem jeito e: Fala "Térão", beleza? cutucando sua enorme pança. Ele fica meio vermelho, me fazendo lembrar de como é terrível ser chamado pelo apelido de infância, mas tudo bem , ele continua tendo aquela enorme pança, que não sei como, mas está maior ainda. Minha apresentação não obteve o sucesso, como já era de se esperar, mas levei numa boa, já estou acostumado a ter de rir da minha desgraça, todos os míseros dias de minha medíocre existência.
Acho que vou apertar o passo, poderia não existir subidas, mais aí não existiriam descidas também. Sei lá, poderiam inventar uma forma mais fácil, já que inventam tanta coisa, enfim, mudando os dizeres dessa placa aí já tá de bom tamanho: "Rua sem saída". Claro que tem! É só voltar por onde entrou...E o tal do "risco de vida". "Ele não corre mais rico de vida". Então já está morto, certo? Viram a besteira que estavam dizendo e mudaram para "risco de morte". Tudo bem...mas, "Ele não corre mais risco de morte". Como que não? Se eu, que não tenho nada, corro o risco de ter um troço a qualquer momento, imagina quem está em um hospital? Eu sei, ficaria estranho o Willian Bonner dizendo: " Ele foi operado e tem, em tese, menos possibilidade de morrer por motivo ligado à razão que o levou até o hospital e, blá, blá, blá..." Isso não é notícia. É um contrato de aquisição da casa própria. Olha, já fiquei cansado, depois caminhamos mais.
quinta-feira, 16 de agosto de 2007
quinta-feira, 9 de agosto de 2007
Da vida.

Em preto e branco prego o emprego definitivo do ser
faço festa fúnebre por desejo fino e fácil
afinal, queres querida, e não há o que me peça
que eu não faça de graça.
Cada dia passa, cada hora lembra
perdido, escondido na fumaça
tudo parece simples, no refúgio
no desalento de cada existência.
Percebes cedo, seca e amarga minha desgraça iminente
não poderia me furtar ao eminente fato, já que assim melhor assimilas
pois é, isso pode ser o fim
que chegou mais cedo, batendo à sua porta, te espiando pela janela.
Fique atento, desperte o disperso, lembre do esquecido
velhos amigos virão me encontrar. Antigas lembranças
voltam a incomodar. Não há mais jeito
juro que é só isso.
terça-feira, 7 de agosto de 2007
Um olhar sobre a cidade

Sabe, eu estou tendo problemas para escrever, nem é falta de assunto. O problema é que imagino tudo, quando vou por em prática, perco o "fio da meada" e, descambo numa diarreia mental sem precedentes.
Não que isso seja ruim, na verdade nem me incomoda. Então, qual seria o problema? Gostaria muito de saber.
Hoje estava pensando nessa cidade, Franca, interior de São Paulo. Não nasci aqui, mais vivo aqui desde meus seis anos, estou com vinte oito e nunca fui muito longe. Vim de minas, como a maioria daqui, dizem até que, em Franca tem mais mineiro que em minas e, que lá tem é muito baiano.
Juro que a única coisa que me atraía aqui era o clima. Mas essa calmaria toda às vezes me dá até depressão. É uma cidade depressiva por natureza, não por culpa das pessoas. Acho que deve ser a água. Talvez isso explique o alto índice de suicídios que temos. Mas não é só o clima que me agrada.
Outro ponto forte de Franca, são os telefones públicos ( vulgo orelhão ), nunca vi uma cidade agraciada com tantos equipamentos de tão grande valia e necessidade. É uma beleza, em todos quarteirões tem um. Eu, que odeio a companhia que presta esse tipo de serviços a cidade, tenho de engolir seco. Mas o que é certo é certo.
Pena que não posso dizer o mesmo do comércio. Vai de um extremo a outro. Tem lugares em que chego, tenho de pedir desculpas por entrar no estabelecimento e outros que tenho de chamar uma equipe anti-sequestro para sair. E a falta de mercadorias me deixa enfurecido, porque é assim:
Você precisa de uma coisa bem simples, por exemplo, uma caneta bic. Se você pede uma azul, tudo bem, mas a vermelha tem de vir de Ribeirão. A preta de São Paulo, a verde então, tem de se fazer uma encomenda internacional. Aliás já morei em Ribeirão Preto e não sei porque essa dependência, quase que humilhante.
Conheço pessoas que, quando o filho fica doente vai direto pra Ribeirão e, pessoas que só fazem compras lá. Pra falar a verdade, os shopings daqui (os dois) são uma merda, mas os prefiro aos de lá, pelo simples fato de poder fumar meu cigarrinho em paz. Odeio shoping, quando vou, vou obrigado, fico irritado e nem me envenenar eu posso?
Hoje em dia, fumar é quase um crime. Quando estou em alguns lugares, sinto que tem pessoas que desejam arrancar minha cabeça fora. Isso porque eu tenho educação e, só fumo se tiver cinzeiro perto...
Muitas das pessoas que odeiam cigarro é porque parou de fumar e continuam morrendo de vontade. Atitude não é parar. Atitude é assumir o vício, que é o primeiro passo para o abandono do próprio. É mais fácil me dar um ataque cardíaco pela falta do cigarro do que por uma doença provocada por ele.Quem não fuma, ótimo, mas não me proíba. Mas, onde eu estava mesmo? Ah, tá...
As ruas da cidade, nem vou comentar. O melhor transporte aqui seria cavalo, carroça (em alguns lugares onde ainda existe um pouco de asfalto), ou um off road, coisa que só os empresários podem ter. Para nós, pobres mortais sobra a bicicleta (pois cavalo é muito caro) e a única empresa de ónibus urbano da cidade. Sou vizinho da empresa e vejo quando o helicóptero deles pousa aqui perto, "chic no urtimo", como os francanos mesmo , costumam falar.
O pessoal daqui, também reclama de mais. Nunca tá bom, sempre ruim. Chega final de semana, todo mundo pros ranchos, quem não tem arruma um conhecido, prefiro ir no dos outros, já que não tenho. Além de ser bem mais vantajoso, pois um rancho dá um trampo que você nem imagina. Enfim, ainda falta muito pra dizer, mas deixarei pra próxima. Já que é um assunto inesgotável.
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